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18
out

Evasão de talentos cresce 60% em dois anos, aponta Ozires Silva na abertura da RM Vale TI

Engenheiro criticou as políticas públicas de incentivo à inovação na 3ª RM Vale TI

Portal Meon
Rodrigo Machado

Cerca de 300 pessoas acompanharam a cerimônia de abertura da 3ª RM Vale TI – Feira e Congresso de Tecnologia e Inovação na manhã desta terça-feira (18), com a presença do engenheiro Ozires Silva e representantes do poder público e instituições inovadoras no Parque Tecnológico, na zona leste de São José dos Campos.

O encontro reúne especialistas, empresários e profissionais em busca de novas tecnologias aplicadas ao varejo, inovação nas indústrias e projetos destinados às cidades inteligentes. Entre os nomes presentes na abertura estavam o presidente do Conselho da RM Vale, Toninho Colucci, o prefeito eleito de São José, Felicio Ramuth (PSDB), o coordenador do Arranjo Produtivo Local (cluster) TIC Vale, Marcelo Nunes, a presidente do Codivap (Consórcio de Desenvolvimento Integrado do Vale do Paraíba), Ana Karin, entre outros.

Em tom de crítica contra as atuais políticas públicas de incentivo à inovação, Ozires disse que o país está aumentando a dependência no mundo, que se modernizou e deixou o Brasil para trás. Ele perguntou à plateia o que falta para nivelar o país na produção de tecnologia e falou sobre a evasão de talentos para o exterior.

“Entre 2014 e 2016, o ritmo de evasão de talentos cresceu 60%, profissionais e mentes brilhantes que vão buscar oportunidades no exterior. Nenhum país pode permitir isso. Faço uma pergunta crucial a vocês: Falhamos, mas onde e como vamos tomar a iniciativa para reverter esse quadro? O que temos de fazer? E qual é o papel do nosso país? Nossa presença no mundo é mais vista como compradores e não como fornecedores de tecnologia”, afirmou.

Ozires apontou que a crise econômica que o país enfrenta está diretamente ligada aos resultados das poucas políticas públicas destinadas à ciência e educação. “Estamos vivendo uma crise que não é nossa, é do governo federal, mas somos nós quem pagamos. Nossas vendas no exterior são lideradas por commodities e matérias-primas, o custo de produção no país é alto e como equilibrar a economia diante dessa situação?”

Educação
Durante a palestra, o engenheiro e protagonista na criação do avião Bandeirante na década de 60, disse que é preciso investir na educação para a fabricação de novos talentos em toda a Região Metropolitana do Vale do Paraíba e no estímulo à geração de novas tecnologias as organizações.

“Podemos considerar que a tecnologia digital pode gerar dados importantes. A competitividade das empresas depende do uso destas tecnologias, não há outra alternativa. Estamos em um mundo que o ‘avanço’ não nos espera. Por que o Brasil não avançou a partir dos passos de Santos Dumont, em 1906? Hoje, os Estados Unidos e a França dominam o mercado de aviação”, disse. “Mas São José é um orgulho, nós também fabricamos aeronaves. Mas se ficarmos de braços cruzados nenhuma diferença faremos mais”, completou.

Ozires abordou ainda o conceito das smarts cities, falou sobre a ociosidade do aeroporto de São José, além de questionar a presença de produtos das gigantes China e Coreia do Sul no país. “Vemos produtos chineses e sul-coreanos em todas as cidades brasileiras, em quase todo o mundo, mas não há produtos brasileiros nas ruas chinesas e coreanas”, questionou.

De olho no público, Ozires mandou recado para o prefeito eleito de São José, Felicio Ramuth (PSDB). “Educação, senhor prefeito. Escreva com letras maiúsculas na sua administração. É o primeiro passo porque educação é fundamental. Vamos fazer a melhor, não só em São José, mas no Vale do Paraíba, para sermos um exemplo para o país. E para isso, precisamos de líderes competentes”, finalizou.

Cerimônia de Abertura da RM Vale TI, no Parque Tecnológico São José

Cerimônia de Abertura da RM Vale TI, no Parque Tecnológico São José (Adenir Brito/PQTEC)